CHAPTER 26: THE RETURN TO THE MORNING SERRE AND THE MEETING WITH THE PAST
In September 2003, Luiz had an idea: he wanted to return to the mountains of Manhuaçu, to see the place where he had been born, where he had learned to cut wood with his father. "I haven't been there for over forty years," he told Alayde. "I want to see the swidden, the axe Dad gave me – if it's still there". Alayde, who was already better off with asthma, nodded his head: "Come on. I want to know the place you've always told me."
The children helped prepare the journey: Carlos rented a comfortable car so Alayde wouldn't get tired; Sonia prepared a first aid kit; Elizabeth took a notebook to write about the trip; Ricardo took Carlos' camera to take pictures. The great-grandchildren were also – they wanted to see the "grandparents' serra", as they called it.
The journey lasted almost twelve hours. Luiz was sitting in front, looking out the window, while the saws were getting closer. When they arrived in Manhuaçu, he felt a longing that tightened his chest – in cold air, the smell of wood and earth, the sound of the birds he knew as a child. "I'm home," he whispered.
They went to the plantation where Luiz had lived. The clay house where he lived with his father and mother no longer existed – only a few stones and a log of pine that his father had cut. But the axe my father gave me was still there, buried under a rock, as Luiz had left. He dug the stone with his hands and took the axe – it was oxidized, but the blade was still sharp. "My father," he said, with tears in his eyes. "He's here."
The great-grandchildren looked at the axe curiously, and Elick asked, "Grandfather, would you cut wood with this?" Luiz smiled and waved: "Yes, my son. With this axe, I built the first fence of the swidden. And then I built our house on the hill." He taught Elick and Italo how to hold the axe carefully, and he said, "The wood does not lie – if you treat well, it holds you. That's what my father taught me."
Alayde walked through the countryside, looking at the fields and mountains. "It's a beautiful place," she told Luiz. "Now I understand why you always talk about here." Luiz hugged her: "It's beautiful, but our home is on the hill. With the family." They went to visit the grave of Luiz's father, who was in a small cemetery in the city. Luiz put a flower in the grave and said: "Dad, I built a family. I did what you asked – I used the axe to build, not to destroy."
On his way back to Rio, Luiz sat in front, holding the oxidized axe in his hands. The great-grandchildren slept in the back of the car, and the children talked about the trip. "It was an important moment," said Elizabeth. "Knowing the past helps to understand the present." Luiz smiled: "The past has given us strength. The gift gave us happiness. And the future will be even better."
When they reached the hill by night, all the neighbors were waiting to hear about the trip. Luiz showed his father's axe and told about the garden, about the house that no longer existed, about the grave. The neighbors listened carefully, and Mr. Antonio said: "This axe is a legacy. It represents all the struggle you had to build your family." Luiz put the axe in the living room, on a shelf he had built for him. "He's staying here," he told Alayde. "To remind everyone where we came from."
CHAPTER 27: APPROVING CARLA IN ARCHITECTURE AND THE DREAM OF REFORMING THE HOUSE
Em janeiro de 2005, Carla – filha de Carlos e Mariana – tinha vinte anos e estava esperando o resultado do vestibular para a faculdade de Arquitetura da UFF. Ela tinha estudado duro por dois anos, ajudada por Sônia (com ciências), Elizabeth (com português) e Ricardo (com matemática). “Quero ser arquiteta para construir casas bonitas e seguras para o morro”, disse ela a avós um dia. “Para que ninguém tenha que viver em casas de barro como vocês no início”.
O dia do resultado chegou em uma manhã de sol. Carla estava na casa de Luiz e Alayde, com toda a família ao seu lado, quando Carlos chegou com o jornal em mãos. “A lista saiu!”, gritou ele. Carla pegou o jornal com mãos tremidas e virou as páginas até encontrar a lista de arquitetura. Ali, no 17º lugar – um lugar de bolsa integral – estava seu nome: “CARLA RAFAELA SILVA JARDIM – APROVADA”.
No mesmo instante, ela desmaiou de alegria. Quando acordou, estava em braços de Alayde, que chorava: “Minha neta! Arquiteta! Eu sempre soube que você era especial!” Luiz abraçou-a forte: “Você vai construir coisas grandes, Carla. Maior do que eu já imaginei”. Os bisnetos pulavam de alegria, e Elick gritou: “Tia Carla é arquiteta! Vai reformar a nossa casa!”
A notícia se espalhou pelo morro, e os vizinhos vieram parar para dar parabéns. Dona Maria trouxe um bolo de coco com “Parabéns, Arquiteta!” escrito em creme, e Sr. Antônio disse: “Agora o morro tem a sua própria arquiteta. Nós vamos ter casas melhores, graças a você”. Carla sorriu: “Tudo isso é graças a vocês, a avós e aos pais. Vocês me mostraram que a luta vale a pena”.
Na semana seguinte, Carla matriculou-se na faculdade. Luiz e Alayde foram com ela – foi a primeira vez que eles entravam no departamento de Arquitetura, e ficaram impressionados com os modelos de casas e edifícios que estavam expostos. “Isso é o que você vai fazer?”, perguntou Luiz, apontando para um modelo de um edifício sustentável. Carla acenou: “Sim, avô. Casas que resistem a chuvas, que têm luz e água, e que são bonitas. Igual a nossa, mas melhor”.
Um mês depois, Carla apresentou um projeto a família: reformar a casa do morro de Luiz e Alayde. “Ela é pequena, e as paredes de barro já estão rachadas”, disse ela. “Vou fazer um projeto que mantenha o estilo original, mas que seja mais segura e confortável. Com um quarto extra para os bisnetos, uma cozinha maior e uma varanda com vista para o mar”.
A família adotou a ideia de imediato. Carlos prometeu pagar a maior parte dos materiais com o salário da loja de eletrônicos – que agora era uma loja que ele próprio tinha comprado. Sônia prometeu ajudar com o planejamento da área de banho, para que fosse acessível a Alayde. Elizabeth prometeu ajudar a escolher as cores da casa. Ricardo prometeu ajudar a construir as paredes, com a orientação de Carla. E Luiz prometeu usar o machado do pai para cortar madeira para as janelas e as portas.
“Vamos construir uma nova casa sobre a antiga”, disse Luiz a Alayde. “Para que ela continue sendo o nosso lar, mas com mais conforto para você”. Alayde abraçou-o: “Eu amo a nossa casa como ela é, mas a ideia de ter uma varanda com vista para o mar me faz feliz”.
Na manhã do primeiro dia de obras, toda a família se reuniu na casa. Carla colocou a primeira pedra – uma pedra que Luiz tinha trazido da serra de Manhuaçu. “Essa pedra representa o nosso passado”, disse ela. “E a casa que vamos construir representa o nosso futuro”. Luiz pegou o machado do pai e cortou a primeira prancha de madeira para a janela: “Pai, ajuda a sua neta a construir. Ela vai fazer coisas grandes”.
Naquele momento, o sol brilhava na fachada da casa, a água da torneira corria, e a família estava unida – construindo, sonhando e amando. Alayde sentou-se na cadeira do quintal e olhou para tudo, sorrindo: “Nossa casa vai ficar perfeita. Tudo o que nós temos é perfeita”.
CAPÍTULO 28: A REFORMA DA CASA E A VARANDA COM VISTA PARA O MAR
As obras da reforma começaram em março de 2005. Carla supervisionava tudo com cuidado – medindo, desenhando, explicando aos trabalhadores (que eram vizinhos do morro) como construir as paredes de concreto que substituiriam o barro, mas mantendo o telhado de palha original para preservar o estilo da casa. “A palha é parte da nossa história”, disse ela. “Não podemos tirá-la”.
Luiz passava todos os dias cortando madeira para as janelas e as portas com o machado do pai. A lâmina, já limpa e afiada, cortava a madeira com facilidade – como se o pai de Luiz estivesse ali, ajudando. “Ele está feliz”, disse Luiz a Alayde, enquanto acabava uma janela. “Vejo no brilho do machado”. Alayde sorriu: “Ele sempre está com a gente”.
Os filhos ajudavam todos os dias após o trabalho: Carlos consertava as instalações elétricas; Sônia ajudava a planejar a área de banho, colocando uma rampa para que Alayde pudesse acessar com facilidade; Elizabeth escolhia as cores – azul claro para as paredes, branco para as portas – que combinavam com a vista do mar; Ricardo ajudava a colocar as pranchas de madeira nas janelas. Os bisnetos também ajudavam, levando material pequeno e arrumando os detritos das obras.
Um mês depois, as paredes novas estavam prontas, e a varanda que Carla tinha projetado começou a tomar forma. Ela era grande, com espaço para uma mesa e cadeiras, e tinha uma vista perfeita para o mar – desde ali, era possível ver o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor no horizonte. “Quando a varanda estiver pronta, você poderá sentar ali todos os dias, avó”, disse Carla a Alayde. “Ver o sol nascer e o mar”. Alayde chorou de emoção: “É o que eu sempre sonhei”.
Na semana seguinte, a varanda foi terminada. Luiz construiu uma mesa e cadeiras de madeira para ali, com detalhes que Carla tinha desenhado – figuras de pássaros e flores que representavam a serra de Manhuaçu e o mar de Niterói. “É a união do nosso passado e do nosso futuro”, disse Luiz. Alayde foi a primeira a sentar na cadeira da varanda. Ela olhou para o mar, para o morro, para a família que trabalhava nas obras, e sentiu uma paz que nunca tinha sentido antes. “Eu estou em um sonho”, sussurrou ela.
Os bisnetos correram para a varanda e sentaram-se ao lado de Alayde. Elick pegou um livro que Elizabeth tinha escrito e começou a ler para ela: “A casa do morro tem uma varanda com vista para o mar. Ali, a avó senta e vê os pássaros voarem. Ela é feliz”. Alayde abraçou o bisneto: “Você lê muito bem, Elick. Eu sou muito orgulhosa de você”.
Na noite da inauguração da varanda, toda a família se reuniu ali para jantar. Carla preparou um prato especial – frango assado com legumes que ela tinha plantado no quintal – e Elizabeth preparou um bolo de chocolate. Luiz levantou o copo de suco de acerola e disse: “Hoje, nós inauguramos essa varanda – um lugar de paz e felicidade. Obrigado a Carla, que fez esse projeto com amor. Obrigado a todos os filhos e netos, que ajudaram a construir. E obrigado a você, Alayde – por ser a nossa força todos esses anos”. Todos levantaram os copos e gritaram: “Viva a família! Viva a varanda! Viva o mar!”
A lua brilhava no céu, refletida no mar, e a brisa salgada soprava na varanda. Alayde sentou-se na cadeira que Luiz tinha construído, acariciou a mão dele, e olhou para a família. “Tudo o que nós passamos – a fome, a tristeza, a luta – valia a pena”, disse ela. “Porque agora, temos isso. Um lar, uma família, e uma vista para o mar que nunca acaba”.
CAPÍTULO 29: O PRIMEIRO BISBISNETO E A EMOÇÃO DE SER TATARAVÓS
Em julho de 2015, quando Luiz tinha oitenta e dois anos e Alayde, setenta e dez, uma notícia chegou que deixou toda a família em êxtase: Elick, com vinte e cinco anos, e sua namorada, Camila, estavam grávidos. “Vamos ter um bisbisneto”, disse Elick, ao chegar na casa de avós com Camila ao lado. “Vocês vão ser tataravós”.
Alayde, que estava sentada na varanda com vista para o mar, soltou o copo de chá que estava holding e abraçou o neto com força. “Um bisbisneto”, sussurrou ela, com lágrimas de alegria correndo pelo rosto. “Eu nunca imaginei chegar até aqui. Que bênção do Senhor”. Luiz, que estava cortando madeira para um brinquedo, deixou o machado e chegou até eles: “Nossa família cresce mais uma vez. O legado continua, Elick”.
Os meses seguintes foram cheios de preparativos. Carla, que já era arquiteta formada, projetou um berço de madeira moderno, mas com detalhes do berço que Luiz tinha feito para Carlos – figuras de pássaros e flores. Luiz ajudou a construir o berço, usando o machado do pai e madeira que tinha trazido da serra de Manhuaçu. “Este berço vai passar de geração em geração”, disse ele, acabando o último detalhe.
Alayde fez roupas de bebê com pano de algodão macio – uma blusa branca com bordados de flores, calças azuis e um touquinho de lã. “É o mesmo modelo que fiz para Sônia, anos atrás”, disse ela a Elizabeth. “Quero que o bisbisneto use o que a sua tataravó fez com amor”.
Em março de 2016, Camila entrou em trabalho de parto no hospital público de Niterói. Toda a família esteve presente – desde Luiz e Alayde (que foram levados em carro por Carlos) até os outros bisnetos, que esperavam ansiosos na sala de espera. Quando o médico saiu da sala de parto e anunciou “É um menino!”, toda a sala explodiu em aplausos e gritos de alegria.
Luiz e Alayde foram os primeiros a entrar na sala. Camila estava deitada na cama, com o pequeno bebê em seus braços. Alayde se aproximou com cuidado, e Camila colocou o bebê em seus braços. O bisbisneto tinha cabelos castanhos e olhos azuis – igual a Ricardo e Elick. “Como vamos chamá-lo?”, perguntou Alayde, com voz tremida. Elick sorriu: “Luiz Alayde. Em homenagem a vocês, tataravós”.
Alayde chorou de emoção e olhou para Luiz, que estava ao seu lado, com os olhos cheios de lágrimas. “Luiz Alayde”, repetiu ela. “Perfeito. Ele tem o nome dos seus tataravós”. Luiz beijou a testa do pequeno Luiz Alayde e disse: “Você vai ser forte, meu filho. Igual a todos os homens da nossa família. Vai construir, vai sonhar, vai amar”.
Na volta para o morro, o carro estava cheio de alegria – os netos cantavam, os bisnetos brincavam, e Luiz e Alayde seguravam o bebê com cuidado. Quando chegaram à casa, os vizinhos estavam esperando na porta com flores e um bolo de coco. Sr. Antônio, que já tinha oitenta e cinco anos, abraçou Luiz: “Você é o primeiro do morro a ser tataravó, amigo. Isso é um exemplo para todos nós”.
Na noite, toda a família se reuniu na varanda. O pequeno Luiz Alayde dormia no berço que Luiz e Carla tinham construído, e todos olhavam para ele com amor. Sônia disse: “Ele é o resultado de toda a nossa luta. De todos os sacrifícios que vocês, avós, fizeram”. Elizabeth escreveu uma história chamada “O Tataravó do Morro e o Mar”, e leu para todos. Ricardo prometeu ensinar o pequeno Luiz Alayde a ler e a construir brinquedos quando ele crescesse.
Luiz sentou-se ao lado de Alayde na cadeira da varanda, olhando para o mar e para o bebê. “Tudo o que nós fizemos, tudo o que nós passamos, foi para isso”, disse ele. “Para ver a quinta geração da nossa família dormir tranquila na nossa casa”. Alayde acariciou a mão dele: “Sim, meu amor. Nós conseguimos. Nossa história está escrita, e ela vai continuar com ele”.




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