Author: reas63

  • A cidade dentro de uma lágrima.

    A cidade dentro de uma lágrima.

    Dentro de uma lágrimaexiste uma cidade inteira—ruas líquidas,prédios feitos de lembranças,ponteiros que não sabem contar o tempo.Lá, as pessoas caminham devagar,com passos que não fazem som,como se temessem acordar as dores adormecidasnas esquinas de cristal.É uma cidade onde tudo escorre,mas nada se perde:cada história se misturacomo rios que se encontram.Quando aquela lágrima cai,a cidade se desfaz…mas permanece vivano rosto de quem ainda sente.

  • O coração labirinto.

    O coração labirinto.

    O coração é um labirinto sem mapas.Não há entradas marcadas,não há saídas prometidas.Cada corredor guarda um eco —um nome esquecido,um olhar que doeu,um afeto que renasceu quando tudo parecia acabado.Às vezes caminhamos sem saberse procuramos alguémou se buscamos a nós mesmos.E o que chamamos de amoré apenas o encontro inesperadode duas almas perdidasno mesmo corredor.

  • O silêncio que cura.

    O silêncio que cura.

    O silêncio veio como quem não quer ferir,tocando a pele com dedos invisíveis,puxando lentamente cada dor que eu escondia.No começo eu temi —acostumado ao ruído, às certezas gritadas,às explicações que tentam preencher abismos.Mas o silêncio é sábio.Ele sentou-se ao meu lado,como um velho amigo que não pergunta nada,apenas fica.E naquela quietude que parecia vazia,eu encontrei aquilo que as palavras não alcançam:um abrigo,um sopro,uma verdade.Descobri que às vezes não é preciso entender,é preciso apenas sentir o peso ir emboradevagar,como a noite se retirando para dar lugar ao sol.

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