CAPÍTULO 1: A SERRA DE MANHUACU E O PRIMEIRO MACHADO
A serra de Manhuaçu se ergueu como um muro de pedra e mata escura em cima de Luiz José desde que ele podia lembrar. Tinha dez anos, e já passava horas ao lado do pai, cortando pinheiros para fazer cercas que resistissem às chuvas de verão – chuvas que chegavam com força suficiente para arrancar árvores velhas e deixar a terra em lama. O pai, João, era um homem de mãos duras e voz baixa, que nunca dizia mais do que o necessário. “A madeira não mente, filho”, repetia ele, enquanto ensinava Luiz a afiar a lâmina do machado herdado de seu avô. “Se você cortar na direção da fibra, ela te segura. Se errar, ela quebra em suas mãos.”
Luiz aprendeu a sentir a madeira: o peso da prancha, o cheiro de resina quando a lâmina cortava, o som do machado batendo em tronco – um som que ecoava pela serra e parecia dizer que ali, naquele lugar distante, havia vida. Ele passava horas afiando a lâmina até que ela brilhava como a lua, olhando para as montanhas e pensando em um mundo onde não havia apenas terra e trabalho. “Um dia, vou construir algo grande”, murmurava ele para o vento que soprava da serra. “Algo que não caia, nem que seja pequeno.”
A vida na roça era dura: comida escassa, médico distante, escolha quase inexistente. Luiz nunca foi à escola – o pai dizia que o trabalho no campo valia mais que livros. “O que você vai fazer com letras se precisa plantar milho para comer?” perguntava ele, e Luiz não tinha resposta. Mas em segredo, ele gostava de olhar para os papéis que os comerciantes traziam da cidade – papéis com palavras que ele não entendia, mas que pareciam ter um poder próprio. “Um dia, eu vou aprender a ler”, prometeu a si mesmo, enquanto afiava o machado.
Quando completou 15 anos, o pai deu-lhe o machado como presente. “Agora é seu”, disse João, com um sorriso raro. “Use-o para construir, não para destruir.” Luiz agarrou o machado com as mãos raspadas e sentiu um peso que não era só de madeira – era o peso da responsabilidade, da promessa de construir uma vida melhor. Naquela noite, ele dormiu com o machado debaixo do travesseiro, sonhando com serras distantes e casas que ele construiria.
CAPÍTULO 2: ALDEIA VELHA, O SOL E A PRIMEIRA CRISE DE ASMA
Em Silva Jardim, no lugarejo chamado Aldeia Velha, o sol batia com força suficiente para derreter a terra. Alayde tinha oito anos, e já caminhava dois quilômetros todos os dias para ajudar na colheita de café – as mãos pequenas se cortavam com as espinhas das galinhas-do-café, e o suor corria pelo rosto até chegar ao pescoço. A aldeia era pequena: poucas casas de barro e telhado de palha, uma igreja de madeira e um mercadinho que vendia apenas arroz, feijão e sal. Todo mundo conhecia todo mundo, e as histórias se espalhavam como fogo em mato seco.
Alayde amava ouvir os contos das vizinhas, especialmente os sobre o mar. “É uma água azul que nunca acaba”, dizia Dona Rosa, uma mulher velha com cabelos brancos. “Você pode olhar para ela o dia todo e nunca ver o fim.” Alayde sonhava com ver o mar – imaginhava a brisa salgada em seu rosto, a areia entre os dedos, a sensação de ser pequena diante de algo tão grande. Mas sua vida era ligada à roça: colher café, ajudar a mãe a cozinhar, cuidar dos irmãos menores.
Um dia, durante a colheita, ela sentiu uma falta de ar que pareceu sufocá-la. Os pulmões pareciam se fechar, e ela caiu no chão, tossindo e chorando. Os pais correram até ela – mas não havia dinheiro para médico. A mãe puseram uma touca de algodão molhada em seu nariz e rezou ao Senhor Santo Antônio. “Por favor, deixa ela respirar”, murmurou a mãe, com lágrimas nos olhos. Alayde passou horas na cama, tentando respirar, sentindo que a morte estava perto. Naquela noite, deitada na cama de barro, ela prometeu a si mesma: “Nunca vou deixar meus filhos passar por isso. Nunca vou ser impotente diante da doença”.
Quando se recuperou, voltou à colheita – mas agora, com um medo no peito que nunca tinha sentido. O sol continuava batendo, o café continuava a ser colhido, mas Alayde sabia que ela não pertencia ali. Ela queria ir para o Rio, ver o mar, construir uma vida onde tivesse dinheiro para médico, para comida, para escola. “Um dia, eu vou sair daqui”, pensou ela, olhando para o céu azul. “Um dia, o mar vai me esperar.”
CAPÍTULO 3: A SAÍDA DE MANHUACU E A VIAGEM PARA O RIO
Luiz tinha 22 anos quando o pai morreu de pneumonia. A roça não dava mais para sustentar a família – o milho ficou pequeno, o feijão secou, e a mãe não conseguia trabalhar sozinha. “Você tem que ir para o Rio, filho”, disse a mãe, com lágrimas nos olhos. “Aqui não há futuro para você.” Luiz não quis deixar, mas sabia que ela estava certa. Ele empacotou o machado, um par de roupas, um pedaço de pão que a mãe tinha guardado e um retrato do pai. “Vou trazer dinheiro para todos”, prometeu ela, antes de pegar o ônibus.
A viagem durou quase doze horas. Luiz ficou sentado na parte traseira do ônibus, olhando para as serras que iam ficando mais distantes. A saudade apertava o peito – saudade da mãe, dos irmãos, da serra que lhe deu vida. Mas também havia esperança: esperança de encontrar trabalho, de construir algo, de cumprir a promessa que fez ao pai. Quando o ônibus chegou ao Rio de Janeiro, Luiz ficou impressionado com o movimento: carros, pessoas, prédios altos que tocavam o céu. Ele nunca tinha visto algo tão grande.
Na mesma época, Alayde, com 20 anos, deixou Aldeia Velha com a tia Maria, que trabalhava como empregada doméstica no Rio. A viagem foi curta, mas para Alayde, pareceu durar uma vida. Quando o ônibus passou por uma estrada próxima ao mar, ela viu a água azul pela primeira vez – e chorou de alegria e de saudade ao mesmo tempo. “É mais lindo do que eu imaginava”, sussurrou ela. A tia abraçou-a: “Aqui você vai construir sua vida, filha. Mas lembre-se: o Rio não é fácil”.
Chegada à cidade, Alayde alugou um quarto com outras duas moças no centro. A tia conseguiu um emprego para ela em casa de um senhorio – limpar, cozinhar, lavava roupas. O salário era mínimo, mas suficiente para pagar o aluguel e comprar comida. Luiz, por sua vez, andou por horas pelas ruas, perguntando por trabalho de carpinteiro. Finalmente, num bairro de Jacarepaguá, encontrou uma obra onde o patrão precisava de ajudante. “Você sabe cortar madeira?” perguntou o patrão. Luiz agarrou o machado que trazia consigo: “Sim, senhor. Eu sei”.
CAPÍTULO 4: O PRIMEIRO ENCONTRO NA ESQUINA DO CENTRO
Um mês depois de chegar ao Rio, Alayde saiu do trabalho mais cedo para procurar um quarto mais barato. Ela parou na esquina de uma rua, onde havia um papel colado na parede – um anúncio de aluguel. Mas ela só conseguia decifrar algumas palavras: “quarto”, “barato”, “próximo ao ônibus”. Fruncia a testa, tentando juntar as letras, quando ouviu uma voz com sotaque mineiro: “Precisa de ajuda?”
Ela virou a cabeça e viu ele: Luiz, com as mãos raspadas de carpinteiro, camisa suja de obra e olhos castanhos que pareciam ler seus pensamentos. Ele se aproximou, e Alayde sentiu um calor que não era do sol. “O anúncio diz que tem um quarto de aluguel por R$ 10 por mês, próximo ao terminal de ônibus”, disse Luiz, lendo o papel. Alayde sorriu: “Obrigada. Eu não sei ler muito bem”. “Não importa”, disse ele. “Eu posso ajudar você, se quiser.”
Eles conversaram até o sol se pôr. Luiz contou sobre Manhuaçu, sobre o pai, sobre o machado. Alayde contou sobre Aldeia Velha, sobre o mar, sobre a crise de asma. Ambos sentiram que tinham encontrado alguém que entendia a sua luta – alguém que sabia o que era ter fome, ter saudade, ter esperança. Luiz levou ela para um quiosque no Aterro do Flamengo e comprou um suco de acerola – o mais caro que conseguia pagar. “Eu nunca provei algo tão doce”, disse Alayde, olhando para ele. Luiz sorriu: “Eu quero fazer você sorrir sempre, não importa o que aconteça”.
Na hora de se despedir, Luiz deu a ela seu número de telefone – escrito em um pedaço de papel de obra. “Ligue para mim, qualquer hora”, disse ele. Alayde guardou o papel no bolso do avental: “Eu vou ligar”. Na caminhada para casa, ela sentiu que o Rio não era mais um lugar grande e assustador – agora, havia alguém ali para ela.
CAPÍTULO 5: O NAMORO NO RIO E OS PRIMEIROS DESAFIOS DA LUTA JUNTA
Os dias seguintes foram uma mistura de alegria e dificuldade. Luiz trabalhava na obra de sol a sol, saindo às 4 da manhã e chegando à barraca onde dormia às 10 da noite. Mas todos os dias, antes de ir para o trabalho, ligava para o telefone do senhorio onde Alayde trabalhava – só para ouvir a sua voz por alguns minutos. “Bom dia, meu amor”, dizia ele, e Alayde sentia que todo o cansaço da noite anterior desaparecia.
Eles se encontravam apenas às sextas-feiras e domingos – dias em que Luiz não trabalhava ou Alayde tinha horas vagas. Os encontros eram sempre simples: caminhadas pelo Aterro do Flamengo, piqueniques com arroz e feijão que Alayde preparava, conversas sentados em bancadas olhando para o mar. Um domingo, Luiz levou Alayde para ver a obra onde trabalhava – um edifício de três andares que estava sendo construído em Jacarepaguá. “Um dia, eu vou construir um edifício assim”, disse ele, apontando para as paredes de concreto que iam crescendo. “E você vai morar no andar mais alto, com vista para o mar.” Alayde abraçou-o: “Eu não preciso de um edifício. Preciso de você”.
Mas os desafios não demoraram a chegar. Um dia, o patrão de Luiz anunciou que ia reduzir o salário de R$ 5 para R$ 4 por dia – “a obra está com problemas de orçamento”, disse ele. Luiz tentou reivindicar, mas como não tinha contrato escrito, não adiantou. “Se não gostar, pode sair”, disse o patrão. Luiz não podia sair – precisava do dinheiro para ajudar a mãe em Manhuaçu e para ver Alayde. Ele aceitou o salário menor, mas sentiu uma raiva em seu peito – raiva de ser impotente, de não saber ler nem escrever para defender seus direitos.
Na mesma semana, Alayde teve uma crise de asma grave. A tia Maria levou-a a uma farmácia popular, onde compraram um remédio barato que mal ajudava. Alayde passou dois dias deitada no quarto, tossindo e tendo dificuldade para respirar. Luiz foi vê-la assim que terminou o trabalho, e ficou horas ao seu lado, acariciando o cabelo e rezando. “Eu não consigo ver você assim”, disse ele, com lágrimas nos olhos. “Eu prometi que não deixaria você sofrer.” Alayde agarrou sua mão: “Não é sua culpa. É a vida. Mas estamos juntos – isso é o que importa”.
Um sábado, eles foram à igreja de Jacarepaguá – a mesma onde iam sonhar em se casar. O padre, que já os conhecia, falou sobre a fé em tempos de dificuldade: “A fé é como uma casa – você tem que construir ela pedra por pedra, mesmo que a chuva bata forte”. Luiz e Alayde olharam um para o outro e sabiam que o padre estava certo. Na saída da igreja, Luiz tirou um anel de bronze que trazia no dedo – um anel que o pai tinha dado a ele antes de morrer – e colocou na mão de Alayde. “Não tenho dinheiro para um anel de ouro”, disse ele. “Mas quero casar com você. Agora, se você quiser. Não precisamos de nada mais que nós dois e a bênção de Deus”. Alayde chorou de alegria e acenou com a cabeça: “Sim. Quero casar com você. Agora mesmo”.
CAPÍTULO 6: O CASAMENTO EM IGREJA DE MADEIRA E O PRIMEIRO LUGAR NOSSO
Eles se casaram uma semana depois, em uma terça-feira de manhã – o único dia que Luiz e Alayde conseguiram pegar folga. A igreja de Jacarepaguá estava vazia, com apenas três testemunhas: o colega de obra de Luiz, João Carlos; a tia Maria de Alayde; e a dona do mercadinho onde eles comprava comida, Dona Ana. Alayde vestiu um vestido branco que a tia Maria tinha emprestado – ele era pequeno, com mangas curtas, e ela tinha que arrumá-lo com agulha e linha no dia anterior, mas parecia perfeita. Luiz usou a única camisa de gola que tinha, limpa e passada pela tia, e calças de linho que ele tinha consertado várias vezes.
O padre, um homem velho com barba branca e olhos atentos, começou a missa. “Hoje, vocês dois estão aqui para construir uma família”, disse ele, olhando para Luiz e Alayde. “Um laço que não pode ser quebrado, nem por a dificuldade, nem por a tristeza. Vocês têm certeza de que querem isso?” Luiz agarrou a mão de Alayde com força: “Sim, padre. Com toda a certeza”. Alayde acenou, com lágrimas correndo pelo rosto: “Sim. Sem dúvida”.
Os votos foram simples, mas cheios de emoção. Luiz prometeu amar Alayde “mesmo quando a obra não pagar, mesmo quando a chuva fechar a rua”. Alayde prometeu amar Luiz “mesmo quando a asma me tomar, mesmo quando a fome bater na porta”. O padre deu-lhes a bênção e disse: “Agora vocês são marido e mulher. Que o Senhor guie seus passos”. Na saída da igreja, Dona Ana trouxe um bolo de farinha e açúcar – o único que conseguiu fazer com o que tinha. Eles comeram o bolo em uma bancada em frente à igreja, rindo e chorando, felizes como nunca tinham sido.
Depois do casamento, eles precisavam de um lugar para morar. O quarto de Alayde era pequeno e compartilhado, e a barraca da obra de Luiz não era um lugar para um casal. Luiz ouviu falar de um quarto aluguel em Campo Grande – pequeno, mas barato, por R$ 12 por mês. Eles foram ver o lugar: era um quarto de uns 10 metros quadrados, com uma cama de solteiro, uma gaveta pequena e uma janela que dava para uma parede. Mas para eles, era um paraíso. “É nosso”, disse Alayde, abraçando o marido. “Todo nosso”.
Luiz construiu uma estante com madeira sobrante da obra para colocar as poucas coisas que tinham: o retrato do pai de Luiz, o anel de bronze, um livro que Dona Ana tinha emprestado (mesmo que eles não conseguissem ler). Alayde arrumou o lugar com um pano de prato colorido que a tia tinha dado, e colocou uma flor que arrancou na rua em um copo de água. Na primeira noite que dormiram juntos no quarto, Luiz acariciou o ventre de Alayde e disse: “Espero que um dia tenhamos um filho aqui. Um filho que aprenda a ler, que tenha um futuro melhor que o nosso”. Alayde sorriu e acariciou a cabeça dele: “Teremos. Juntos, teremos tudo”.
Na manhã seguinte, Luiz saiu para a obra às 4 da manhã, como sempre. Mas agora, quando voltava à noite, tinha um lugar para chegar – um lugar que era seu, com a mulher que amava. E isso valia mais do que qualquer dinheiro do mundo.
CAPÍTULO 7: O NASCIMENTO DE SÔNIA MARIA E A PRIMEIRA PROVA DE PAIXÃO
Três meses depois do casamento, Alayde percebeu que estava grávida. Ela estava lavando roupas na casa do senhorio quando sentiu uma dor leve no ventre – e depois, viu que o seu avental estava mais apertado do que antes. Correu para o banheiro e olhou para o espelho, colocando as mãos no ventre. “Um filho”, sussurrou ela, com lágrimas de alegria nos olhos. Não conseguiu esperar para contar a Luiz – foi até a obra em Jacarepaguá, caminhando quase uma hora, com o sol batendo em seu rosto.
Quando chegou à obra, Luiz estava no segundo andar, carregando uma prancha de madeira. Ele viu ela e desceu correndo, preocupado: “O que houve? Você está bem?” Alayde agarrou suas mãos e colocou-as no ventre: “Estou grávida, meu amor. Temos um filho”. Luiz ficou parado por segundos, não conseguindo acreditar. Depois, abraçou-a com força, quase a sufocando, e chorou: “Um filho. Nossa filha ou nosso filho. Vou construir tudo para ele”. Os colegas de obra aplaudiram e gritaram “parabéns” – um dos eles deu a Luiz um copo de cachaça, mas ele recusou: “Agora tenho que ser responsável. Tenho uma família para cuidar”.
Os meses seguintes foram difíceis. Alayde teve que deixar o trabalho na casa do senhorio – o patrão não queria ter uma empregada grávida, dizendo que “ela não ia dar conta”. Luiz teve que trabalhar duplo: uma obra pela manhã e outra pela tarde, saindo às 3 da manhã e chegando em casa às 11 da noite. Ele comia pouco, guardando todo o dinheiro para comprar comida para Alayde e para o bebê que estava por vir. A dieta de Alayde era basicamente arroz, feijão e batata – mas ela nunca se queixava, sempre dizendo que “o bebê só precisa de amor para crescer”.
Em uma manhã de junho de 1965, Alayde começou a sentir dores fortes. Luiz estava na obra, mas um vizinho correu para avisá-lo. Ele deixou tudo e correu para casa, pegando Alayde em seus braços e levando-a para a clínica popular mais próxima – um lugar pequeno e cheio de gente, com poucos médicos e equipamentos básicos. Alayde passou seis horas de parto, gritando de dor, sem anestesia – o hospital não tinha dinheiro para isso. Luiz ficou fora da sala de parto, trancando os punhos e rezando ao Senhor Jesus para que tudo desse certo. “Por favor, deixa ela sair bem. Deixa o bebê sair bem”, murmurou ele, enquanto ouvia os gritos de Alayde.
Finalmente, o médico saiu da sala e disse com um sorriso: “É uma menina. Tudo bem”. Luiz quase desmaiou de alegria. Entrou na sala e viu Alayde deitada na cama, com uma pequena criança em seus braços. Ele se aproximou, com lágrimas correndo pelo rosto, e olhou para a filha: cabelos castanhos, olhos pequenos e fechados, bocazinha rosa. “Como vamos chamá-la?” perguntou Alayde, olhando para ele. Luiz acariciou a cabeça da menina: “Sônia Maria. Em homenagem à sua mãe e à minha”. Alayde sorriu: “Sônia Maria. Perfeita”.
Na volta para casa, Luiz carregou a filha em seus braços, caminhando pela rua escura de Campo Grande. Sônia dormia, tranquila, e ele pensou em tudo o que tinha passado – a serra de Manhuaçu, a morte do pai, a chegada ao Rio, o casamento com Alayde. Agora, tinha uma filha. Um motivo para continuar, para lutar, para construir. “Você vai aprender a ler, Sônia”, prometeu ele, baixando a cabeça para beijar a testa dela. “Vai ter uma vida melhor que a do seu pai e da sua mãe. Eu juro por tudo o que amo”.
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