Sou um vaso, moldado por quedas e erros,
Um composto curioso, de pé entre desertos.
Cada fenda, rachadura, deslize que vivi,
É paisagem esculpida, só minha por fim.
Não mármore polido, nem molde sem falha,
Mas fragmentos colhidos, feitos para aguentar.
Pois por essas brechas, onde a luz pode entrar,
Um fio suave afasta o medo a pairar.
Com espírito sério, devagar e com fé,
Boas intenções fazem essas peças crescer
Num todo, embora marcado e imperfeito,
Ligado por um fim, à esperança em respeito.
Assim eu fico em pé, testemunho da graça,
Uma alma de retalhos, no tempo e no espaço.
Meu próprio ser, fracassos tecidos com força,
Iluminado pela luz da intenção que me acalça.
Onde a Luz pode entrar.




Deixe um comentário